100 anos de Terapia Ocupacional

Ao longo da vida do ser humano, vários são os relatos históricos do uso de ocupações no tratamento de pessoas. Os chineses consideravam que a doença resultava da inatividade física e utilizavam o treino físico como terapia. Também os egípcios tratavam as pessoas “melancólicas” recorrendo a jogos e defendiam a aplicação do tempo em ocupações agradáveis. Por sua vez, na Grécia clássica, utilizava-se cantigas, músicas e dramatizações para acalmar os delírios.

Em 1906 nos Estados Unidos da América, a Terapia Ocupacional começou a ser estruturada como profissão, com a criação dos primeiros cursos em que se treinavam pessoas para trabalharem em hospitais, com a função específica de utilizar a ocupação para ajudar os doentes, dando-se nessa altura grande ênfase aos trabalhos artesanais e a alguns exercícios físicos.

Contudo, foi no final da Segunda Guerra Mundial que a Terapia Ocupacional se destacou, principalmente na Europa, com a necessidade de reabilitar e integrar os jovens militares incapacitados.

Em Portugal, o curso de Terapia Ocupacional surgiu pela primeira vez em 1957, sendo atualmente uma profissão da área da saúde reconhecida e legislada pelo governo português.

 

Mas afinal… O que é a Terapia Ocupacional?

A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde, que usa como meio terapêutico a ocupação para promover a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas.

Atua na prevenção, avaliação e tratamento de problemas de desempenho ocupacional, capacitando a pessoa para a realização das atividades do dia-a-dia. Estas ocupações consistem em atividades significativas, que dão sentido à sua própria vida ou que a pessoa necessita de realizar, podendo ter como intuito cuidar de si própria (autocuidados), desfrutar dos seus tempos livres (atividades de lazer) ou contribuir para o desenvolvimento económico e social da sociedade (atividades produtivas).

 

E o papel do Terapeuta Ocupacional?

O ser humano é um ser ocupacional, isto significa que constantemente fazemos coisas. Por exemplo, se pensarmos no nosso dia-a-dia, levantamos, tomamos banho, vestimos, conduzimos, temos um emprego, vamos buscar os filhos à escola, cozinhamos, cuidamos da casa, vamos ao cinema, fazemos desporto…

As nossas crianças brincam, vão à escola, fazem os trabalhos de casa…

Os nossos idosos, muitos trabalhavam no campo, outros na costura…

A verdade é que são todas estas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia e ao longo das nossas vidas, que nos definem enquanto pessoas e que compõem as nossas rotinas diárias. Quando nos confrontamos com algum fator (físico, mental, ambiental…) que nos impede de desempenhar ou envolver de forma satisfatória nas nossas ocupações, passamos por tempos muito difíceis. Acabamos por pôr em causa a nossa identidade e, por vezes até nos sentimos afastados da sociedade! Certamente conhecemos pessoas que passaram por um processo depressivo quando perderam o emprego, quando se reformaram, até mesmo quando engravidaram e a mudança de hábitos e rotinas levou a uma destruturação da imagem que tinham delas próprias, ou quando sofreram um AVC e disseram que “o corpo já não servia para nada”.

Em todas estas situações o papel do Terapeuta Ocupacional é aumentar a participação da pessoa na ocupação significativa. Para isso, os Terapeutas Ocupacionais avaliam a pessoa (os seus pontos fortes e as suas fragilidades), mas também os contextos e as exigências da ocupação e, intervém com o objetivo de:

  • Dotar a pessoa de capacidades para realizar as atividades diárias, como cuidar de si próprio, brincar, trabalhar ou aprender;
  • Desenvolver competências de desempenho (sensoriais, cognitivas, motoras e sociais).

 Para tal, recorrem a uma série de técnicas e procedimentos específicos e/ou utilizam produtos de apoio.

Quando não conseguimos fazer as nossas ocupações, não fazemos? Ou procuramos um Terapeuta Ocupacional?

Tive um AVC. E agora?

O Terapeuta Ocupacional pode ajudar a promover o retorno à autonomia, nomeadamente no vestir, na alimentação e na higiene.

Tenho um familiar com Alzheimer…

O Terapeuta Ocupacional é o técnico que ajudar a estimular e/ou preservar as capacidades cognitivas, e consequentemente, proporcionar segurança e autonomia.

Sofro de Doença Mental…

O Terapeuta Ocupacional intervém com indivíduos portadores de perturbações mentais, traçando com eles objetivos que lhes permitam reduzir o impacto da doença no seu dia-a-dia, tornando-se cada vez mais funcionais e autónomos na realização das atividades significativas.

Tenho um filho com autismo…

O Terapeuta Ocupacional recorre ao brincar como meio de intervenção, de forma a desenvolver competências motoras, sensórias e de interação social, que permitam o máximo de desempenho ocupacional e autonomia nos diferentes contextos de vida (casa e escola).

Tenho um aluno com necessidades educativas especiais, como pode o Terapeuta Ocupacional ajudar?

O Terapeuta Ocupacional preferência a intervenção nos contextos reais de vida da criança, de forma a desenvolver as competências em défice e potenciar as aprendizagens, melhorar a compreensão dos seus potenciais e fornecer estratégias que facilitem a sua participação.

Tenho uma criança com Paralisia Cerebral?

O Terapeuta Ocupacional proporciona experiências e aprendizagens sensório-motoras, estimula as componentes cognitivas, bem como auxilia na adaptação e desempenho das suas atividades diárias, sobretudo através do brincar.

Se tem uma criança, adolescente, adulto ou idoso, com dificuldades ao nível dos autocuidados, do brincar, da aprendizagem, da escrita, das rotinas diárias ou em envolver-se e realizar as atividades significativas, procure um Terapeuta Ocupacional!

 

Dra. Diana Silva – Terapeuta Ocupacional